O material apresenta uma análise aprofundada e baseada em dados sobre a força de trabalho do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) no Brasil, partindo de uma constatação incômoda: o país não sabe ao certo quantos motoristas de caminhão tem. O estudo cruza três fontes oficiais que se complementam justamente porque nenhuma delas conta pessoas — RENACH (habilitações C/D/E vigentes), RAIS (vínculos formais de motorista) e RF-CNPJ (MEI-Caminhoneiro ativos na Receita Federal) — para reconstruir o setor de três ângulos. Dessa leitura emergem uma base de habilitados que envelhece pelo topo e não se renova por baixo, um emprego formal que freou o crescimento e cujo salário perdeu para o salário mínimo, e as disparidades salariais regionais que revelam a competição por mão de obra. O fio que costura tudo é a virada central do estudo: o crescimento do setor migrou para fora da CLT rumo ao MEI-Caminhoneiro — foram +86.634 CNPJs contra +6.536 vínculos formais em 2025 —, o que reposiciona o debate do “quantos motoristas faltam” para uma pergunta mais dura sobre o futuro do TRC: quanto dessa autonomia formalizada é empreendedorismo de fato e quanto é subordinação com CNPJ.
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